CAPÍTULO EXTRA
THRAK
UM ANO DEPOIS
Meu coração dispara ao ouvir o grito vindo do último quarto do corredor, seguido pelo choro alto e desesperado do meu primogênito, que coloquei para dormir há menos de duas horas, mas que agora foi acordado pelos pesadelos da mãe.
Memórias do tempo antes de nos conhecermos.
Por um segundo, fico paralisado, minha mente dividida entre os relatórios que Bathr me enviou sobre a situação dos Lykaris lobotomizados, que eu lia antes do caos se instaurar, e a dor de saber que nada do que eu faça é capaz de livrar Victoria por completo dessas memórias, que pelo menos uma vez por mês voltam para assombrá-la.
Como poderia fazer ela esquecer, se praticamente oitenta por cento de suas lembranças são de puro sofrimento?
Um pequeno rosnado escapa da minha garganta quando o desejo de matar Donald de novo me invade. Contudo, o choro desesperado de Draek faz com que eu tire a cabeça da bunda e saia correndo para o quarto ao lado do escritório, onde encontro meu pequeno filhote de três meses se debatendo no berço pintado de amarelo-manteiga.
Ele imediatamente estende para mim as mãozinhas de garras ainda moles, piscando os enormes olhos laranja enquanto lágrimas de medo e irritação escorrem pela face coberta por pelinhos loiro-escuros, que são apenas um tom mais escuro que os cabelos de Victoria.
— Pronto, pronto — murmuro após pegá-lo no colo, dando uma palmadinha carinhosa em seu bumbum peludo que, para a surpresa de ninguém, está sem a fralda. — É só a mamãe tendo um sonho ruim. Vamos lá lembrá-la de que ela está livre, sim?
Draek solta mais um pequeno resmungo irritado antes de ceder ao meu ronronar e deitar a cabeça em meu ombro, fazendo-me sorrir apesar da chance bem real de levar uma mijada do pestinha que tem tornado meus dias mais loucos. E felizes.
Absurdamente felizes.
É estranho como nada do que cogitava chega perto dos sentimentos que me dominaram desde o dia do parto de Victoria.
A alegria é indescritível, assim como o pavor de agora ser responsável por um serzinho tão pequeno, que depende de nós para fazer tudo: alimentá-lo, niná-lo, educá-lo, limpá-lo...
E salvá-lo dos monstros que tentam extinguir nossa espécie.
— Querida? — chamo ao abrir a porta, tomando cuidado para não assustar minha garota, que está sentada na beira da cama, escondendo o rosto entre as mãos trêmulas.
Espero por uma resposta, mas, quando tudo o que Victoria faz é sacudir a cabeça sem me encarar, dou um passo para trás e retorno ao corredor.
— Tudo bem. Vou te deixar mais um tempinho sozinha, então... — murmuro, lutando contra a parte de mim que quer invadir o quarto e agarrar a mulher que se tornou meu mundo inteirinho em tão pouco tempo.
Acontece que eu sei que Victoria não precisa de carinho agora. Precisa que eu respeite seu espaço e a deixe organizar, sozinha, a bagunça dentro da própria cabeça.
Não é a primeira vez que ela tem esses sonhos, e duvido que seja a última. Por isso, quando Draek nasceu, criamos uma espécie de “protocolo”, já esperando que, vez ou outra, os pesadelos acabassem acordando nosso filho.
Eu cuido do bebê. Victoria se acalma. E, então, eu cuido da minha mulher, quando ela me permite.
Não é exatamente do jeito que gostaria, mas como prometi jamais controlar Victoria quando nos casamos, é assim que as coisas são.
— N-não... podem f-ficar — gagueja, fraco, esfregando o rosto uma última vez antes de erguer a cabeça e estender os braços, indicando que quer nosso filho. — Eu preciso p-pegar ele.
— Não mais do que ele precisa do colo da mulher mais bonita do mundo — ronrono suavemente, entregando-lhe o pequeno Lykaris que nós dois criamos juntos.
Chega a ser mágico ver como Victoria se desmancha com o sorriso ainda banguela de Draek, que, de imediato, começa a mover o focinho à procura dos seios fartos, repletos de leite.
— Por que ele está sem a fralda?
— Você ainda pergunta? — Ergo uma sobrancelha enquanto me sento ao seu lado, de modo que consigo acariciar suas costas. — Nosso filho é um Lykaris. Está no DNA não gostar de roupas!
— Isabel disse que Ezra é igualzinho...
A pequena risadinha que Victoria solta alivia um pouco mais da dor que tomava meu peito, e a visão do filho de Razor invade minha mente rapidamente, também me fazendo rir.
O herdeiro do meu primo nasceu apenas dois dias depois de Draek e herdou todinho o temperamento do pai. Isso é um desespero para o meu melhor amigo, que não só continua tendo que governar este continente maldito, como também segue à frente da caçada ao Mutea e à corja de humanos responsável por criar essa praga.
Eu também continuo à frente da operação, mas decidi tirar licença-paternidade durante os quatro primeiros meses de Draek para ajudar Victoria a cuidar desse serzinho irritado que só quer saber de ficar grudado nos seios da mãe.
Não que eu possa julgá-lo por isso...
— Estou feliz que eles vão crescer juntos, apoiando-se... — murmura, acariciando o pelo acima dos olhos do nosso bebê, que já está quase pegando no sono de novo.
Enquanto eu preciso ficar, no mínimo, uma hora balançando o pirralho sem parar, bastam dois minutos de tetê e ele desmaia!
Como a vida é injusta!
— Eu também. Era tudo o que eu sonhava — confesso, tocando seus fios loiros, agora bem mais curtos, desde que Victoria decidiu cortá-los após o parto. — Um bebê saudável e livre... Uma mulher perfeita...
— Não sou perfeita, Thrak! — Ela tem a pachorra de bufar e revirar os olhos, recusando-se a aceitar a afirmação.
Minha mão chega a coçar de vontade de dar uma palmada na bunda gostosa, mas me limito a rosnar em seu ouvido e aumentar o aperto em sua cintura macia, deixando claro que não gosto quando ela fala mal de si.
— É perfeita para mim.
Deixo uma lambidinha em seu pescoço, o que faz Victoria estremecer e quase largar Draek, que solta um resmungo baixinho. O focinho dele se desprende do mamilo marrom-avermelhado — prova irrefutável de que adormeceu —, então me ergo para colocá-lo de volta no berço.
Mas Victoria não o entrega de imediato. Ela o segura por mais um segundo, com o olhar fixo no rostinho adormecido que, por mais estranho que seja, é uma mistura de nós dois.
Uma combinação perfeita.
Os dedos claros dela traçam com extremo cuidado a linha do focinho, a curva da orelha macia, e o pequeno peito que sobe e desce, mostrando-nos um verdadeiro milagre: a vida do bebê que tentaram matar, mas não conseguiram.
Não perco o brilho quase assustado em seus olhos azuis, que tanto amo. É como se Victoria estivesse com medo de soltar Draek e ele pudesse simplesmente desaparecer.
O pior de tudo é que entendo o sentimento, já que muitas vezes faço a mesma coisa com ela, ainda com trauma do dia em que a tiraram dos meus braços. Quando eu achei que tinha morrido.
— Vou só colocá-lo no berço, minha vida — murmuro baixinho, pegando o filhote com cuidado após Victoria deixar um último beijo em sua testa. — Já volto.
Ela responde com um mero aceno, acompanhando-nos com o olhar ainda cheio de agonia.
Quando volto ao quarto, poucos segundos depois, surpreendo-me ao não encontrar Victoria. Porém, nem preciso perder tempo procurando-a: os sons vindos da cozinha me levam direto até ela, que está sentada sobre a ilha, tomando sorvete.
O último lugar em que fizemos amor.
— Podia ter me esperado, loirinha. Se eu soubesse que você estava com fome, teria cozinhado.
— Só queria o sorvete mesmo — afirma, erguendo a colher cheia de creme e chocolate. Ela encara o doce por alguns segundos, sem levá-lo à boca. — Algo gelado para me lembrar de que isso tudo é real... Que eu não estou alucinando com esta vida.
Me aproximo devagar e fico de pé entre as pernas dela, apoiando as mãos na ilha, de cada lado de seu corpo macio, feito para se encaixar no meu.
Victoria estremece com a proximidade, e o cheiro de chocolate quase desaparece quando o odor de cerejas maduras, mais doce do que nunca, toma conta de todo o apartamento, misturando vergonha e prazer.
— Foi muito ruim? — pergunto em tom leve, para que ela saiba que não vou pressioná-la a me contar, muito menos julgá-la.
— Sempre é... — murmura, antes de enfiar o sorvete na boca.
Espero que ela dê mais algumas colheradas no doce, observando o jeito como evita meu olhar e engole cada uma com mais força do que o necessário.
Um minuto torna-se dois.
Três.
Quatro.
E então, quando o pote finalmente fica vazio, Victoria solta um suspiro e passa os braços pelos meus ombros, dando-me a liberdade que eu tanto queria para envolvê-la nos meus.
— Eu não choro quando aquele filho da puta aparece nos meus sonhos. Não tenho mais medo dele. Não depois que vi sua carne derreter! — diz, sem um mero segundo de respiro, o que me mostra que não está tentando me convencer, e sim a si mesma. — Mas quando o Draek aparece... — Victoria para e engole em seco, sacudindo a cabeça com tanta força que seu queixo chega a bater na lateral de minha cabeça. — Eu não quero que nada aconteça com ele, Thrak! Eu não suportaria! Juro que não suportaria!
— Nada vai acontecer com ele, amor. Estamos trabalhando para pegar todos aqueles humanos malditos. Você sabe disso. — Eu lembro, afastando-me apenas o suficiente para conseguir encarar suas íris azuis. — Quantos deles você já não ajudou a capturar nestes últimos meses? Quantos não estão sendo perseguidos neste exato momento por Rhaz, Vael e a fêmea maluca deles?
Victoria treme nos meus braços, e não sei dizer se está rindo por eu chamar sua amiga morena de maluca — apesar de ela ser exatamente isso — ou só está soluçando.
De qualquer maneira, começo a ronronar, jogando um pouco de feromônios no ar, para ajudar seu cérebro a se acalmar.
Não tenho certeza de qual de nós dois suspira quando ela amolece em meus braços.
— Eu sei que muita gente está trabalhando nisso — fala, um tempo depois, deslizando a ponta dos dedos pela lateral do meu focinho, em um carinho que faz meu rabo balançar. — Mas acho que só vou conseguir ficar tranquila quando voltar à ação...
Meu rabo para no mesmo minuto.
— Tínhamos combinado que você ficaria longe do serviço até o Draek completar seis meses, Victoria — recordo-lhe, em um tom seco que não consigo conter.
— E você deveria ficar totalmente afastado até ele completar quatro meses, mas os documentos em cima da sua mesa não me mostram que isso aconteceu, não é? — A loira rebate, erguendo as sobrancelhas daquele modo que eu amo e odeio ao mesmo tempo.
Amo porque ela fica simplesmente deliciosa com essa cara de brava.
Odeio, porque isso significa que eu fiz merda.
— Ok. Eu não fiquei cem por cento afastado, admito. — Começo devagar, querendo evitar que isso se transforme em uma briga. A primeira que teríamos desde que saímos do cativeiro. — Mas não estou indo para os interrogatórios, que é o que você quer fazer.
— Nem precisa. Sei que você vê todos eles pela câmera, e dá instruções a Rhaz e Vael — rebate, surpreendendo-me e indignando-me na mesma medida. — Você não fala tão baixo quanto acha que fala, Thrak. Além disso, eu tenho uma amiga que me conta tudo, lembra?
— Maldita ômega fofoqueira! — rosno, preferindo jogar a culpa na parceira dos meus novos subordinados a confessar que o culpado sou só eu.
Claro que isso só dura até Victoria afastar os dedos do meu rosto, indicando que quer que eu recue. No mesmo instante, o desespero me domina.
Mas nem fodendo que eu vou!
Aperto a cintura dela com mais força e a puxo de volta para mim, enterrando o rosto na curva do seu pescoço. O local onde mordi da última vez que fizemos amor, deixando uma cicatriz permanente. Quando eu me descontrolei.
O cheiro de cerejas maduras invade meus pulmões, misturando-se ao aroma residual de chocolate e ao leve salgado das lágrimas anteriores; essa mistura intoxicante é o suficiente para fazer minha cabeça rodar.
— Não me afaste — murmuro contra sua pele quente. — Eu não gosto quando você faz isso.
Victoria solta um suspiro, mas não tenta se soltar novamente. Na verdade, ela enfia os dedos nos pelos da minha nuca, em um ponto que sempre faz meu rabo balançar de satisfação.
— Eu não estou tentando brigar, Thrak. Eu só… eu preciso fazer alguma coisa! — diz, com tanta sinceridade na voz que se torna impossível contradizê-la. — Ficar aqui o dia inteiro, só cuidando do Draek e esperando por notícias do que acontece lá fora, faz-me sentir inútil! Quase como se estivesse presa de novo...
É a última parte de sua fala, dita em um tom tão baixo que mal escuto, que me acerta em cheio.
Eu fiz minha garota se sentir em cativeiro?
— Victória... — começo, mas as palavras travam na minha garganta devido ao nó que surgiu ali.
O que se pode dizer depois de perceber que machuquei a pessoa que amo, tentando protegê-la?
— Sei que o Draek ainda é muito novo pra ficar sozinho — continua, apressada, aproveitando minha hesitação. — Não quero abandoná-lo, juro para você! Mas também não consigo ficar aqui sem fazer mais nada como você queria, amor.
Como eu queria.
A frase só me deixa com mais dor, porque me lembra que fui eu quem pediu pra ela não trabalhar mais depois de ter completado sete meses de gestação, mesmo Victoria dizendo que queria continuar.
E eu não a escutei.
Fecho os olhos com força e pressiono ainda mais o focinho contra sua pele cheirosa e sedosa, tentando controlar a irritação comigo mesmo por ter sido um completo imbecil.
Como resolver isso?
Como encontrar um meio-termo que satisfaça Victoria sem fazer com que eu morra de preocupação?
— Eu nunca quis te prender — murmuro ao me afastar, tomando seu rosto perfeito entre as garras. — Só não achei que fosse seguro você continuar participando dos interrogatórios no estado em que se encontrava...
— Eu entendo isso, mas estou bem agora!
É necessário um esforço descomunal para não dizer que, na verdade, ela ainda está no puerpério, sofrendo com alterações extremas de humor.
Não sei se o risco maior é ela cair no choro no meio de uma investigação, ou matar o criminoso antes que consiga fazer uma mísera pergunta...
— Olha, posso até te apoiar a voltar a trabalhar, mas não dá pra ser do jeito que era antes. Pelo menos não de imediato — acrescento rápido, vendo seu rosto se franzir em aborrecimento. — Ainda quero você longe das salas de interrogatório. Você é um serzinho sanguinário lindo, mas está sim mais sensível após o parto, e sua segurança e bem-estar, seja físico ou emocional, vêm em primeiro lugar para mim.
Victoria abre a boca para protestar, mas eu levanto uma das garras, pedindo que ela me deixe terminar.
Não sei se fico mais surpreso por ela acatar o pedido, ou pelo microssorrisinho que abre para mim.
— Quatro horas por dia de modo presencial, no início. Você pode ajudar na área da recuperação dos Lykaris que estavam na Rússia.
— Que recuperação? Eu li o relatório que o Bathr te mandou mais cedo. Vão executar todos, mesmo com a doutora Aisha dizendo que é possível salvá-los!
— Na verdade, ela acha que é possível. Porém, até agora não nos mostrou nenhuma prova disso — corrijo sua informação equivocada, sem conseguir conter um sorriso por ela ser tão fuxiqueira. — E, de qualquer maneira, não vão eutanasiar todos, só os mais selvagens e debilitados. É um gesto de compaixão... Eles estão sofrendo muito.
— Não acho isso certo — sussurra, deixando-me abalado com a compaixão em suas íris azuis. — Vi alguns dos estudos da doutora... Vi o Zumbi e o Demônio balançarem o rabinho pra ela.
— Eu também vi... Mas, não depende de mim. Houve uma votação no conselho, e decidiram pela eutanásia — explico, percebendo então quanta saudade eu senti de poder falar sobre esses assuntos com Victoria.
Fiz questão de afastá-la de tudo, acreditando ser o melhor... Quão enganado eu estava!
— Bathr os trará de avião até o final da próxima semana, para que os familiares possam se despedir.
— Descobriram os nomes verdadeiros deles, então? — pergunta, cheia de surpresa.
— De quase todos. Zumbi, por exemplo, na verdade se chama Aren. Ele vivia no Brasil com sua família, e foi sequestrado assim que completou dezoito anos... Ficou desaparecido por vinte e um meses.
— Aren — repete o nome, com tanta tristeza que nem consigo sentir ciúme por estar falando de outro macho.
— Sei que a situação é triste, e queríamos não ter que fazer isso, mas é necessário — falo, limpando com a ponta do polegar a lágrima que escorreu por sua bochecha. — Não só para que as famílias saibam o que ocorreu com seus parentes, mas para que esses Lykaris encontrem a merecida paz, depois de tanto sofrimento.
Victoria solta um suspiro longo e apoia a testa em meu peito, parecendo travar uma batalha interna. Não consigo evitar que uma parte de mim torça para que ela mude de ideia sobre voltar a trabalhar, mesmo sabendo que isso a deixaria triste.
— Qual seria minha nova função? — pergunta um tempo depois, aniquilando de vez minhas esperanças.
— Quatro horas por dia — repito contra os cabelos curtos dela. — Você ajuda na organização da chegada dos Lykaris, no acolhimento das famílias e na análise dos relatórios da doutora Aisha. Até o Draek completar seis meses... Depois, a gente reavalia e decide se você volta para os interrogatórios. Combinado?
— Combinado! — diz de pronto, erguendo o rosto até estar na posição perfeita para eu lhe beijar.
Claro que aproveito a oportunidade, enfiando minha língua em sua boca de um jeito que fazia tempo que não me permitia.
Não desde que me descontrolei.
— O que eu não faço por você? — sussurro assim que nos afastamos, sentindo meu pau latejar de desejo.
Victoria abre um largo sorriso, e eu dou um passo atrás ao notar o brilho malicioso em seu olhar.
— Eu sei de uma coisa que você não anda fazendo comigo… — ronrona, deixando os dedos deslizarem por meu peito desnudo até chegarem ao cós do short preto que sempre uso à noite.
Uma pontada fria de medo sobe por minha espinha enquanto agarro seu pulso delicado, impedindo-a de enfiar a mão dentro da peça e tocar meu membro, já desperto e desesperado por sua atenção.
— Victoria... — ecoo o seu nome, o olhar fixo na pequena cicatriz que deixei em seu pescoço, quase cinco meses atrás, quando fiquei louco de desejo e não me contive o suficiente.
Quando a fiz gritar de dor.
— Thrak... — murmura, com um tom quase impossível de resistir. — Pare de pensar demais. Aquilo foi um acidente! Eu confio cem por cento em você. Afinal, você conseguiu se segurar até quando estava drogado, lembra?
— Mas não quando você estava grávida — rebato, dando mais um passo para trás, de modo que ela não consiga mais me tocar.
O olhar da minha loira torna-se imediatamente gelado, a ponto de até congelar o medo que dominava meu íntimo.
— Você não me acha mais atraente? Não quer mais fazer amor comigo? — As perguntas que me faz são tão absurdas, que nem consigo respondê-las de imediato, tamanho meu choque. — É porque eu ainda não perdi todos os quilos que ganhei na gravidez? Achei que não se importava com meu peso...
O tom baixo e tristonho, somado à visão da primeira lágrima deslizando pela face que tanto amo, me fazem estourar.
— Como pode pensar isso? — rosno um segundo antes de pular em cima dela, chocando nossos corpos contra a bancada de mármore.
A ilha treme com o impacto, mas não me importo. Tudo em que consigo pensar é em Victoria, que acha que não a desejo mais. Que não percebe o quanto venho lutando, nos últimos meses, para não ultrapassar nenhum de seus limites. Para não ferir seu corpo de tanto que a quero.
Minhas mãos agarram as coxas macias da ômega, e eu a escuto ofegar enquanto as abro com força e me encaixo ali, deixando que sinta toda a dureza do meu pau latejante, pressionado exatamente onde ela está quente e úmida.
Necessitada.
Minha língua invade sua boca logo em seguida, capturando cada um de seus gemidos sôfregos, que se tornam ainda mais desesperados quando meus dentes prendem seu lábio inferior e o puxam.
Forte.
O gosto do sangue doce só me deixa mais selvagem, mas não ouso me afastar. Não depois de minha esposa admitir que acredita que eu não a desejo mais.
Um absurdo!
Um disparate!
Quase uma ofensa!
— T-Thrak... — A loirinha choraminga assim que minhas garras rasgam o tecido fino de sua camisola roxa, revelando os seios pesados e cheios de leite, que escorrem lindamente quando os belisco.
— Eu adoro seus gemidos, amor, mas agora te quero bem quietinha para não acordarmos nosso filhote — aviso contra a pele de seu pescoço, pouco acima da cicatriz que deixei. —
Ele já teve o jantar dele... É a minha vez!
Desço mais as lambidas, deixando um rastro molhado até os mamilos durinhos, inchados pelo líquido doce que faz minha cabeça rodar há tempos.
Eu queria tanto experimentar...
O dia finalmente chegou.
Victoria arqueia as costas no instante em que capturo o biquinho direito com força, pressionando-o e girando-o até o leite jorrar direto em minha garganta. Ao mesmo tempo, empurro o quadril para a frente, roçando o pau duro na boceta quente e encharcada, tão molhada que o tecido da calcinha já não consegue esconder nada.
— Caralho, eu senti tanta falta de te sentir apertada e escorrendo em volta do meu pau, pequena! — admito, afastando-me apenas o suficiente para conseguir lamber as gotinhas que se perderam em meus pelos. Nada deve ser desperdiçado! — Tenho guardado toda a minha porra para você, então não duvido que te encha imediatamente com outro filhote quando gozar dentro e lhe der meu nó...
— C-combinamos que não íamos ter o-outro por agora, Thrak! — Ela se apressa em me recordar, com um tom que mistura repreensão e desejo.
É impossível conter o riso; apesar de suas palavras, ela não para de se esfregar em mim, fazendo meu pau quase ultrapassar a fina barreira do tecido e entrar onde nós dois queremos.
Mas, agora, eu já tenho outros planos.
— Eu me lembro... Mas e você, Victoria? Lembra-se do que eu lhe prometi quando ainda estávamos em cativeiro? — ronrono, deixando minhas garras rasparem todo o caminho até o pequeno lugar apertado que quero possuir há muito, muito tempo. — Onde eu ainda não te marquei?
A ômega perde a cabeça quando deixo a ponta da garra adentrar seu cuzinho intocado, e tenho que agir rápido para tapar sua boca com a outra mão, impedindo que seus gemidos altos acordem Draek.
— Vou ter que te amordaçar, Victoria? É sério? — provoco contra sua orelha, adorando como ela nem tenta negar. — Boca fechada, amor. Senão, vou mantê-la cheia com algo de que você não vai gostar.
— Mas eu adoro seu pau na minha boca... — diz assim que afasto minha mão, acabando de vez com meu raciocínio lógico.
Afinal, como eu poderia continuar são com minha esposa fazendo um biquinho que grita: “me coma forte, por favor”?
Não é possível.
Essa mulher nasceu para me enlouquecer!
— E você vai adorar ele enfiado bem fundo no seu cuzinho — juro, voltando a deslizar as garras pela fenda, que fica mais melada a cada segundo que passa, graças à excitação abundante que escorre da boceta necessitada.
Dois dedos deslizam com mais facilidade do que eu previa, e quando um novo gemido ecoa pela cozinha em conceito aberto, percebo que meu plano de jantar sobre a mesa não vai funcionar.
Terei de dar um travesseiro para ela morder.
— O-onde vamos? — Victoria questiona, entrelaçando os dedos ao redor do meu pescoço enquanto a ergo, segurando suas coxas macias.
— Sofá. Vou te comer de quatro.
A boquinha rosada da minha fêmea se abre em choque com as minhas palavras, e eu rio de prazer quando o belo rubor de suas bochechas se espalha pelos seios enormes, aumentando minha vontade de mordiscá-la inteira.
Caralho, não vou durar nada dentro dela! Só de vê-la, minhas bolas já estão queimando!
— Eu adoro quando você treme desse jeito — sussurro, hipnotizado pela forma como ela se curva na superfície de couro, me dando a melhor visão da bunda e da boceta melada que irei preencher. — Está desesperada pelo meu pau, não é? Por mim...
— Você é quem parece desesperado, marido... — Victoria retruca, encarando-me por cima do ombro com aquele olhar matador de quem sabe que me comanda.
Sabe que é a minha dona.
— E estou mesmo. Já fazem quase cinco meses desde a última vez que gozei — recordo-lhe com orgulho, cerrando os dentes para não ceder ao impulso de enfiar a cabeça gorda do meu pau na sua boceta inchada.
Meu lugar preferido no mundo.
— Não quer mesmo que eu acredite que não se masturbou nenhuma vez nesse tempo todo, Thrak... Eu sei que homens têm necessidades.
O modo como Victoria ergue a sobrancelha, sem esconder o deboche, faz meu sangue ferver nas veias e um rosnado de irritação escapar da minha garganta.
Como ela ousa?
— Já te disse que não sou um homem — cuspo, puxando os fios curtos do cabelo dela num rabo de cavalo improvisado, para que não possa desviar o olhar do meu quando começo a tomar seu único buraco ainda virgem. — Sou um Lykaris... Seu macho.
A glande grossa pressiona o anel apertado, e custa cada grama do meu autocontrole não rugir de prazer quando o cuzinho intocado cede, aos poucos, à pressão lenta e constante, engolindo cada centímetro do meu pau.
Até chegar à área do nó.
— Minha porra sempre pertencerá exclusivamente a você, ômega! — proclamo, cravando as garras na cintura macia para impedi-la de tentar se mover. — Meu prazer é seu. Meus desejos são seus. Eu sou seu, Victoria.
— S-sim... T-todo meu — geme, manhosa, deslizando os dedinhos ardilosos até o clitóris inchado, o que acaba com meus planos de torturá-la lentamente.
Está fazendo exatamente o que acabou de me acusar.
— Sua safada! — Minha palma desce contra suas nádegas antes que eu consiga pensar na ação, o que a faz gritar e se agitar, empurrando meu pau mais alguns centímetros para dentro do rabo apertado.
Não é exagero dizer que chego a ver estrelas. O prazer é tão intenso que perco o fôlego; juro que até meu coração pula algumas batidas.
Só não sei se é pelo som que escuto vindo do quarto de Draek, ou por minha esposa continuar rebolando, perseguindo o próprio orgasmo...
— E-estou perto! — ela chora, enquanto meu polegar substitui seus dedos, assumindo a tarefa de esfregar o clitóris durinho e sensível. — Tão perto, amor!
— Eu sei — rosno, começando a ver tudo borrado ao tentar conter meu próprio clímax, que se aproxima como um tsunami.
Ainda não.
Não enquanto ela não gozar.
Não enquanto seu corpo não ceder ao meu!
— T-Thrak! — Victoria grita contra o travesseiro assim que belisco o feixe de nervos, sem piedade nenhuma de seu clitóris sensível, que mais tarde vou lamber até ela me implorar para parar.
Até que me peça perdão por tocar no que é meu.
— Goze — ordeno, com os olhos fixos no cuzinho que me engole com vontade. — Eu quero sentir sua boceta chorar enquanto estou dentro do seu rabo, antes de te encher de porra.
A loirinha se arqueia no sofá, mas a empurro de volta para o estofado, mantendo-a de quatro como toda boa ômega que é tomada por seu Alfa e precisa ser educada.
— N-não! Quero gozar junto com você! — pede, voltando a me encarar por cima do ombro. — Nós dois... Juntos.
— Juntos — repito, sentindo o coração disparar por um motivo bem diferente do de antes.
Como ela consegue fazer isso? Deixar-me louco de desejo e amor ao mesmo tempo?
As garras da minha mão direita entrelaçam-se aos seus dedos enquanto volto a empurrar meu pau, estocando em um ritmo rápido que não esconde o quanto estou desesperado para deixar o nó inchar e nos prender.
Juntos.
Sempre juntos.
O cheiro da nossa excitação preenche a sala. Mesmo que Victoria agora esteja mordendo o travesseiro para abafar seus gemidos, não dá para esconder o som de nossos corpos se unindo, tão profundamente interligados e encaixados que fica impossível saber onde um começa e o outro termina.
Exatamente como nossas almas.
— Goze no meu pau. Agora!
Não preciso gritar a ordem. Na verdade, nem precisaria dá-la. Mal termino de falar e a ômega se contrai inteira, o corpo tomado pelo prazer que lhe proporciono ao continuar a masturbá-la, obrigando-a a liberar o líquido quente que escorre pela coxa no mesmo instante em que o cuzinho me aperta com violência, me ordenhando.
O nó incha e trava em seu interior, e meu focinho encontra naturalmente o caminho até seu pescoço quando os jatos de porra passam a preenchê-la, marcando o local que agora também me pertence.
Meu.
Tudo nela é meu.
E tudo o que é meu pertence a ela.
Deito-me com cuidado sobre Victoria, garantindo que meu peso não a sufoque enquanto continuamos travados, ainda tremendo dos últimos espasmos do orgasmo. O momento é talvez até melhor do que o próprio sexo. Continuo sentindo o cuzinho dela latejar ao redor do nó, apertando e soltando em ondas lentas, enquanto ela suspira de felicidade e se acomoda nos meus braços, tão mole que quase acho que seus ossos desapareceram.
— Você está bem? — sussurro, lambendo as novas marcas que deixei em seu pescoço, ao lado da cicatriz antiga.
Pelo menos, desta vez, não rompi a pele.
— Claro que estou... — diz muito tempo depois, com a voz embargada de prazer e exaustão. — Acabei de fazer amor com meu monstro preferido.
— Monstro, é? — rio baixinho, nem um pouco ofendido. Afinal, sou mesmo um monstro. Só que dela.
— O melhor de todos — garante, virando o rosto o suficiente para dar um beijinho na lateral do meu focinho. — Meu companheiro.
— Sim... Sempre seu — concordo, deixando uma última lambida carinhosa em sua bochecha antes de também ceder a um sono sem sonhos.
Até porque todos os meus maiores sonhos já se realizaram.
Não estou mais sozinho.
FIM.

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